A postura da Infraero, no enfrentamento das dificuldades impostas à empresa pela concessão de aeroportos e a crise financeira mundial, está sendo avaliada por parte de seus empregados e também pelo Sindicato Nacional dos Aeroportuários (Sina) como algo que lembra o perigoso jogo Baleia Azul. No jogo virtual, os participantes recebem desafios a cumprir e são, na última etapa, incitados ao suicídio.

Recentemente, a empresa reabriu o Programa de Incentivo à Transferência ou à Aposentadoria (PDITA) e o Desligamento Incentivado a Pedido (DIN). A adesão de aeroportuários com cargos de gestores foi acima do esperado, reforçando o cenário de dúvidas entre os trabalhadores que se mantêm na empresa, num clima de insegurança nefasto.

Na quinta-feira da semana passada (25/5), o Sina participou da primeira rodada de negociação com a Infraero da data-base 2017. Sem sombra de dúvidas, nos 44 anos da Infraero comemorados nessa quarta-feira (31/5), e durante os 28 anos de existência do Sindicato, essa foi definitivamente a pior rodada de negociação da história dos aeroportuários.

A proposta da direção da Infraero para salvar a estatal de seu fim do mundo é a de retirar direitos, regredir salários. Os diretores da Infraero não chegaram a apresentar uma contraproposta formal à pauta de reivindicação entregue pelo Sina, mas os negociadores da empresa, dentre eles o diretor de Gestão, Marx Rodrigues, deixaram claro que a Infraero irá, de forma contundente, na próxima reunião, defender a redução de direitos dos aeroportuários e a aplicação de reajustes diferenciados conforme a faixa salarial. Querem rediscutir talões extras de vale alimentação, adicional noturno, adicional de horas extras, além de remodelar o plano de saúde. Afora as ameaças, foi uma reunião desfocada e abstrata, pela postura dos patrões.

Tal linha de negociação causou muita irritação na direção do Sindicato, a ponto do secretário Financeiro do Sina, Samuel Santos, desabafar nas redes sociais através de um áudio, no mesmo dia, sua revolta e indignação diante do cenário de apocalíptico e contraproducente apresentado pela Infraero na mesa de negociação. Também ao longo dessa semana, a categoria demonstrou, nas redes sociais, sua indignação à outra decisão da empresa, perguntando-se: se a Infraero passa por um cenário tão caótico, o que os diretores da Infraero estão fazendo para contribuir, de forma efetiva, para reverter essa situação? Por que querem tirar direitos conquistados com tanta luta (na história aeroportuária organizada os trabalhadores da Infraero já entraram em greve treze vezes), rasgando um acordo coletivo tão importante, desvalorizando seus funcionários e defendendo que abram mão de salários dignos, benefícios, direitos sociais?

Causa, de fato, enorme estranheza a publicação da liberação do presidente da estatal, Antônio Claret, para viajar a Lisboa e Paris, de 18 a 25 de junho, para participar de eventos internacionais do setor, com ônus para a Infraero.

O Sina entende que seria natural essa agenda internacional se ela trouxer resultados e dividendos à empresa, e se esses resultados forem apresentados aos funcionários, abertamente. Pois os trabalhadores esperam também maior produtividade das diretorias e torcem por uma Infraero capaz de se reerguer, mas não irão abrir mão dos seus direitos.

Nenhum direito a menos, que é uma das bandeiras de luta dos trabalhadores brasileiros contra as reformas Trabalhista e da Previdência Social, é uma afirmação que ecoa cada vez mais junto ao Sina, e a entidade jamais deixará de defender os direitos da classe trabalhadora e irá lutar com todas as forças para que nenhum direito dos aeroportuários seja retirado.

Para enfrentar e reverter esse apocalipse anunciado pela direção da Infraero, a categoria precisa, mais do que nunca, manter-se forte e unida, apoiando as ações do Sindicato, participando em massa nas assembleias. Nenhum direito a menos! Vamos fazer valer a nossa voz!