Nessa quinta-feira (10/8), na sede da Infraero, em Brasília, foi realizada a quarta reunião de negociação da data-base 2017.

Na rodada, representantes do Sindicato Nacional dos Aeroportuários (Sina) e da bancada patronal deram continuidade às tratativas para que a Infraero, finalmente, apresentasse formalmente uma contraproposta aos trabalhadores. Todo o processo de negociação, no entanto, foi interrompido quando, para surpresa do Sina, os representantes da empresa demonstraram sua intenção de estender a vigência das cláusulas econômicas do acordo, sem novo debate, até abril de 2019, ou seja, negando-se a rediscutir as cláusulas econômicas na data-base de maio de 2018.

Diante dessa afirmação, o presidente do Sina, Francisco Lemos, imediatamente interrompeu a reunião, ressaltando que uma proposta com esse viés é no mínimo imoral e que, portanto, a categoria aeroportuária não poderia aceitá-la.

“Em toda nossa história de luta, de negociações entre o Sina e a Infraero, nos últimos 28 anos, nunca o Sindicato deixou de negociar as cláusulas econômicas do acordo coletivo anualmente, no período da data-base, em 1º de maio”, salientou Lemos.

“A bancada patronal, por desconhecimento, desrespeito ou até mesmo desacato à história da nossa categoria, quer impor uma proposta que precariza totalmente as relações de trabalho na empresa. Na relação capital x trabalho, patrões e empregados periodicamente sentam para negociar”, completou.

Os dirigentes do Sina avaliam que por trás dessa atitude da Infraero está o desejo de gerar uma inércia da categoria e do Sindicato no ano que vem, a favor do atual governo federal, em meio ao processo de eleições gerais. “Querem colocar amarras e mordaças nos aeroportuários”, explicou Lemos.


Desrespeito à data-base e redução de benefícios

Além de não querer negociar as cláusulas econômicas em 2018, a Infraero está propondo na atual data-base a redução de benefícios, diminuindo o percentual da hora extra, do adicional noturno, do adicional de férias, excluindo dependentes do auxílio funeral, transformando o plano de saúde (PAMI) de pós-pago para pré-pago. A estatal ainda quer reduzir o ticket alimentação. Também existe a intenção da empresa de diminuir os cargos de remuneração global (RG) na sua estrutura organizacional e, absurdamente, preservar os contratos especiais.

Diante desse cenário, o Sina convocará assembleias nas dependências da Infraero, para debater e deliberar com a categoria os próximos passos dessa data-base, que “já nasce dentro do ninho da serpente”, destacou Lemos.

“Não sabemos até onde vai o descaramento do governo federal. Como entidade representativa dos aeroportuários, temos o dever de chamar a atenção dos trabalhadores para o fato de que a guerra está declarada”, afirmou o presidente do Sina.

“A senzala está sendo reaberta, o tronco reformado, os capitães do mato e senhores de engenho estão levantando dos túmulos, é isso que, figurativamente, está acontecendo em nosso país e na Infraero”, reforçou Lemos.


Faca nos dentes e participação em massa nas assembleias

Cabe agora aos trabalhadores demonstrar sua força e unidade nas assembleias, não aceitando que sejam usurpados seus direitos, conquistados com sangue, suor e muita luta.

“A categoria precisa participar em massa das assembleias, ou seremos tragados por essa contraproposta que a Infraero quer nos impor”, afirmam os sindicalistas. “Várias outras categorias de empregados em empresas estatais estão em negociação de data-base, nesse momento, e nenhuma até agora firmou acordo, o que significa que os trabalhadores continuam lutando”, salientam os dirigentes do Sina.

(Imagens: Kalinka Kaminski/Sina)

O Sindicato reafirma sua posição de que a Infraero tem toda a possibilidade de praticar, no mínimo, a reposição da inflação do período, assim como apresentar uma contraproposta melhor para os funcionários, apesar do momento difícil que a empresa alega estar passando. “O que vemos ainda é o excesso de contratos de terceirização, obras desnecessárias sendo executadas, softwares de gestão dispendiosos, obras necessárias paralisadas e mordomias localizadas dentro da empresa”, denunciam os sindicalistas. “Aguardem o calendário do Sina com a convocação das nossas assembleias e, se necessário for, vamos sentar a pua (expressão usada pelos nossos aviadores que participaram da segunda guerra mundial)”, afirma Lemos.