Na tarde desta quinta-feira, 27 de julho, o Sindicato Nacional dos Aeroportuários (Sina), reuniu-se com a Infraero para mais uma rodada da data-base 2017, na sede da empresa, em Brasília. Este ano, as negociações estão sendo conduzidas, da parte da empresa, pelo diretor de Gestão, Marx Rodrigues.

Durante a reunião, foi colocado mais uma vez na mesa de negociação, pela empresa, a dificuldade que a Infraero vem passando em consequência da perda de receitas, principalmente com as concessões de seus principais aeroportos. As consequências negativas das concessões vêm sendo denunciadas desde o início pelo Sindicato, assim como pelos aeroportuários que atuam na Infraero, e começam, finalmente, a ficar mais nítidas junto à opinião pública e à sociedade brasileira.

Um dos aspectos desfavoráveis desse processo (que trouxe diversos prejuízos para o país e  atualmente é conduzido pelo Ministério dos Transportes), é a situação do Aeroporto de Viracopos, em Campinas (SP), que será devolvido ao governo federal, após aprovação dessa decisão por seus acionistas, em assembleia.

Na mesa de negociação da data-base da Infraero, no entanto, não há espaços para lamentos, protestos ou delírios. A rodada é, simplesmente, o momento em que sindicalistas representantes dos empregados e patrões têm que lidar com a realidade que, nesse caso, foi imposta por decisão política governamental superior.

Dentro dessas condições, os técnicos da Infraero apresentaram ao Sindicato o impacto financeiro que a empresa irá sofrer caso seja mantido na íntegra o atual Acordo Coletivo de Trabalho com a correção de 4,08% (índice oficial da inflação ocorrida no período de vigência do ACT). A empresa calculou que o reajuste irá significar um aumento de despesas de cerca R$ 90 milhões e alegou, na rodada, dificuldade de absorver esse valor dentro da contabilidade financeira da Infraero.

Os representantes da estatal mencionaram também a recomendação oriunda do atual governo às estatais federais de que pratiquem um reajuste de 0% este ano para despesa de pessoal. Neste momento da reunião, o Sina protestou, dizendo que “existem dois pesos e duas medidas para este governo, onde já está sendo divulgado para a mídia reajustes salariais para outras categorias, como o Judiciário e o próprio Congresso Federal. Então, o contra-ataque dos negociadores da Infraero veio na forma de que a empresa terá que negociar esta data-base com recursos próprios e não com aporte do Tesouro, que acaba balizando o reajuste salarial de trabalhadores de outras repartições públicas no país.

Diante disso, o Sindicato posicionou-se afirmando que não encaminhará nenhuma proposta famigerada ou de miséria para a categoria em assembleia, muito embora o Sina reconheça o momento difícil em que se encontra a Infraero, inclusive diante da ameaça extinção da estatal. O presidente do Sina, Francisco Lemos, ressaltou também que “o pulso ainda pulsa, a Infraero não morreu e deve ser tratada como empresa viva, cabendo aos seus diretores cumprir com suas obrigações”.

Presidente do Sina, Francisco Lemos, na rodada de negociação com a Infraero

Os representantes da Infraero admitiram que a recomendação dada pelo governo de congelar salários nas estatais poderá ser rediscutida entre a empresa e o próprio governo, mas desafiou os participantes da reunião a encontrarem uma saída para o impasse financeiro. O Sindicato, por sua vez, exigiu que a empresa apresente até a primeira semana de agosto uma proposta dentro de suas condições financeiras para ser encaminhada às assembleias e concluiu destacando que a deliberação das assembleias de trabalhadores será soberana em aprovar, rejeitar ou conduzir para o confronto direto, em uma queda de braços com a empresa. Em outras palavras, a assembleia tem o poder de deflagrar um movimento de greve, se assim os aeroportuários optarem, alertou Lemos. “O Sina é e será sempre instrumento da categoria aeroportuária. Os aeroportuários não são massa de manobra da entidade”, destacou.

Imagens: Maurício Araújo/Folha Opinião

A Infraero então admitiu que ainda há espaço para dialogar até a próxima rodada de negociação e que, se for o caso, a empresa fará uma explanação aos empregados dessa contraproposta, antes mesmo do Sindicato apresentá-la nas assembleias. A empresa disse também que, não havendo avanços no processo negocial, só restará à Infraero a arbitragem da Justiça do Trabalho. Em resposta, os dirigentes do Sina declararam seu protesto a essa afirmação, ressaltando que é lamentável e frustrante que a empresa e os trabalhadores concluam um processo tão importante para as duas partes impondo essa terceira via.

O Sindicato concordou em aguardar alguns dias a manifestação da Infraero em sair dessa situação. No entanto, se não ocorrer uma melhora na proposta apresentada pela empresa, o Sina convocará assembleias assim mesmo e, literalmente, manterá a faca entre os dentes, juntamente com a categoria, para mais uma vez expor à sociedade o sangue, o suor e as lágrimas da Infraero. “Vamos continuar firmes em mais uma luta, sem medo e com união e responsabilidade”, completou Lemos.