A Comissão de Assuntos Sociocomunitários e Legislação Participativa da Câmara Municipal de Manaus (CMM) irá enviar à Câmara dos Deputados, em Brasília, um documento afirmando sua posição contrária à privatização do Aeroporto Internacional Eduardo Gomes. A decisão foi tomada durante audiência pública realizada na última segunda-feira (17/7).

Secretário-geral do Sina, Célio Barros, defende manutenção da Infraero em audiência na Câmara de Vereadores de Manaus (Robervaldo Rocha/CMM)

Em 2 de junho, o ministro dos Transportes, Portos e Aviação Civil, Maurício Quintella, afirmou que o governo federal estuda opções para a privatização da Infraero, incluindo a venda de partes da empresa e a concessão em blocos de 54 aeroportos do país, dentre eles o Aeroporto de Manaus. O governo já decidiu também pela divisão da área de torres de controle numa nova empresa pública.

Para o presidente da Comissão e proponente da audiência pública, vereador Raulzinho, a decisão de privatizar os aeroportos é um descaso com a população de Manaus e com os funcionários, que podem ser prejudicados. “A privatização pode trazer uma demissão em massa de funcionários que dedicaram parte de sua vida à Infraero. Não podemos permitir isso. Esse aeroporto foi construído com nosso dinheiro, nós temos parte no aeroporto, e não vamos permitir que este investimento público seja dado a outras empresas”, afirmou o parlamentar.

O secretário-geral do Sindicato Nacional dos Aeroportuários (Sina), Célio Barros, participou da audiência e ressaltou o repúdio da entidade sindical à decisão do governo federal de ameaçar o patrimônio público. “A Infraero é uma empresa com 44 anos de existência e nunca dependeu de um centavo do governo. É uma empresa que rendia R$ 4 bilhões ao governo e, com seus 67 aeroportos, trazia benefícios para o orçamento público, portanto, não tem necessidade de uma privatização”, afirmou.

Outro representante do Sina, Artur Castro, alertou que a privatização vai gerar enormes perdas não apenas para o estado, mas para todo o país. “A Infraero era uma das empresas mais eficientes do mundo, e a intenção do governo é tornar este ente precário, para que possa extinguir seus serviços e assim conseguir a privatização, mesmo com os resultados positivos que ela vem apresentando, e é isso que queremos alertar a população, de que não se pode extinguir uma empresa que tem gerado bons resultados para o país e tem uma excelente avaliação por parte dos consumidores”.

O vereador Raulzinho adiantou que vai recolher a assinatura dos outros quarenta vereadores no documento que será enviado à Brasília, mostrando a posição contrária da cidade à privatização. (Com informações da CMM)