Começou muito mal as negociações da data-base 2017 com as concessionárias privadas de aeroportos. Na primeira rodada, realizada nessa quarta-feira (31/5), a bancada patronal chegou à mesa com uma postura totalmente fora da realidade dos anseios e demandas dos trabalhadores, expressos na pauta de reivindicação entregue às empresas pelo Sina.

Não é novidade que o Brasil sempre foi um país onde crises econômicas fazem sombra à classe trabalhadora, mas o movimento sindical, durante todos esses anos, aprendeu a enfrentar, contornar e firmar acordos coletivos de trabalho, superando cenários só vistos no livro do apocalipse.

Durante a reunião, a bancada patronal desprezou literalmente a pauta da categoria, aprovada em assembleias, cuja demanda de reajuste é de 7% nas cláusulas econômicas. Na época de fechamento da pauta, não havia ainda um índice oficial de inflação para o período da data-base. Hoje, sabemos que a inflação acumulada, medida pelo IPCA, de 1º de maio de 2016 a 30 de abril de 2017, soma aproximadamente 4%.

O que foi apresentado na primeira rodada, pelos chorosos patrões, foi um reajuste de 2,8% nos salários, VAs e VRs e mais nada. Diante da proposta, o presidente do Sindicato Nacional dos Aeroportuários (Sina), Francisco Lemos, imediatamente chamou uma conversa em separado com a bancada dos trabalhadores, e ressaltou que seria inconcebível levar às assembleias essa proposta das empresas.

(Folha Opinião/Sina)

Retomada a reunião com a bancada patronal, o Sina rejeitou em mesa a proposta, e os negociadores patronais entenderam que sua proposta foi recebida com abominação pela direção do Sindicato e encerraram a rodada com o compromisso de discutir junto à direção das empresas mudanças na proposta que permitam avançar nas negociações, ou reafirmar essa proposta famigerada. Após a próxima rodada de negociações, o Sina levará a posição das empresas às assembleias, para discussão e deliberação da categoria. Os aeroportuários precisam, nesse momento, manterem-se unidos e com os pés no chão, para aprovarmos ou rejeitarmos a proposta que vier e garantirmos as condições de renovar nossos acordos coletivos nessa data-base. É preciso unidade, muita luta e participação em massa nas assembleias para termos força para defender nossos direitos e um reajuste digno para todos/as. A próxima rodada acontece em 13 de junho, às 14 horas.

(Folha Opinião/Sina)